André Henriques está no vitor360

André Henriques 35 anos trabalha como DJ e é locutor de rádio na RFM, já passou pela Mega e diz que é workaholic! Aceitou o desafio de passar pelo vitor360 e falar sobre si, das suas paixões, dos desafios, o que o motiva e faz mover.

 

Vitor360: Quem é o André Henriques?

André Henriques: Quem é o André Henriques? O André Henriques é um pai babado, um marido dedicado e um workaholic, que nunca mais acaba.

 

V360: O teu bigode virou imagem de Marca?

AH: O meu bigode virou imagem de marca durante uns tempos. Ainda este fim-de-semana, no RFM SOMNII, cruzei-me com o Martin Solveig, que está atualmente de bigode. E a determinada altura pensei! Bolas agora que o tirei (e foi tirado com poupa e circunstância, foi a Jessica Athayde que me o tirou em direto). Agora que o tirei, é que me apetecia deixar crescer outra vez. Uma coisa eu te digo, que na aqueles quase 4 anos que usei bigode achava supre interessante. Dois meses depois de ter tirado o bigode olho para as fotos e digo (o que estavas a fazer). Eu não tenho uma barba muito completa por isso o bigode também não era muito completo! É um bocado como o teu.

 

V360: A música sempre fez parte da tua infância?

AH: A música sempre fez parte de mim, até porque o meu Pai foi e é disco-jóquei. Por isso …Nasci em 79, precisamente no ano em que o meu Pai começou a por música. A minha infância, juventude e idade adulta foi passada em discotecas, lojas de discos, mesas de mistura em casa e coisas e afins! Sempre foi tudo passado à volta dos discos e da música, entre bandas e discos-jóqueis e trinta por uma linha. Por isso foi um bocadinho natural que “a coisa” derivasse por música, apesar de nunca ter feito planos para isso, ou seja nunca foi meu plano fazer rádio, nem ser disco-jóquei. Aconteceu. Saí da Católica para estagiar, e na altura fui convidado para fazer estágio numa rádio. E sempre achei que fazia sentido faze-lo numa rádio, porque rádios existe meia dúzia e agência de comunicação existe muitas. E já lá vão 14 anos.

 

V360: O que ouvias com 10 anos lembras-te?

AH: O que eu ouvia quando tinha 10 anos. Já não me lembro muito bem, mas é engraçado que a minha juventude toda a partir dos 13 / 14 anos foi a ouvir rock. Depois lembro-me de perfeitamente ir comprar os primeiros discos dos Nirvana à loja de discos, juntar dinheiro, fazia 30 por uma linha! Depois aos 19/ 20 comecei na eletrónica independente onde andei uns quantos anos! Aos 25 anos apaixonei-me pela música negra, Soul, R&b, Hip-hop, pelo Funk!

E acabei por encaminhar a minha carreira de disco-jóquei por ai.

Uma coisa é certa, não sou minimamente preconceituoso com a música seja ela qual for, entendo-a na sua forma, no seu lugar e na função que tem para cada pessoa. Não acho que todas as pessoas devam ouvir a mesma música que eu, nem faço distinção do que é bom ou mau, o que é bom para mim pode não ser para ti, por isso não sou nada fundamentalista com a música, pelo contrário sou completamente aberto.

 

V360: Passaram 25 anos, agora estas mais maduro musicalmente o que andas a ouvir?

AH: O que ando a ouvir, então bora lá! Assim gostos pessoais ando a ouvir as últimas coisas do kendrick Lamar que estão geniais. Ando a ouvir as novas coisas de Disclosure que eles estão a lançar devagarinho, e essencialmente a ouvir muito daquilo que é o Hip-Hop Português. (Tenho redescoberto o Hip-Hop Português). Se à coisa que eu faço constantemente é um exercício de memória, um exercício de aprendizagem. Sempre que sai um género de música novo ou começa um género de música novo, como aconteceu com o Dup Step. O mais gritante, aquele que mais confusão me fazia, eu obrigo-me a ouvir. Obrigo-me a ouvir a música que não entendo. Ponho os Phones e estou 3 horas a ouvir Dj-Set ou músicas de gêneros que não conheço. Para chegar a determinada altura em que começas a perceber como a coisa funciona. Depois, acabas no meio de 1000 músicas a achar piada a 100 ou 150 e achar que aquilo se identifica contigo. Mas oiço muita música que não conheço, é das coisas que mais prazer me dá.

 

V360: 11 anos de Mega FM como foi essas experiencia?

AH: A Mega é tudo aquilo que eu sou enquanto rádio e profissional e provavelmente enquanto pessoa que está no mercado de trabalho. Ensino-me a fazer aquilo que mais amo, ensino-me a apaixonar-me por aquilo que mais amo. Foram 11 anos, muito, muito ricos. A minha formação passou toda por lá. Não digo que na RFM não tenha evoluído, obviamente que evolui, até porque trabalho com outro tipo de profissionais e a estrutura. É diferente. Mas a Mega está na minha formação e na minha gênese. Eu acho que não há nenhum dia que passe sem pensar na Mega. E alias ainda hoje em conversas e já lá vão 3 anos, digo nós, nunca digo vocês. Nós como estamos neste festival, nós como estamos de audiências. Ficou cá dentro, fica cá dentro as pessoas que trabalharam comigo, o Nelson Cunha, a Sónia Santos o Nelson Ribeiro, foram essencialmente as pessoas responsáveis pela minha formação. Nunca vão sair de mim.

 

V360: Tens saudades?

AH: Não tenho saudades porque continuou a fazer aquilo que gosto. Sou saudosista, sim, passei grandes momentos. Todas as minhas primeiras experiencias foram todas na Mega FM, os primeiros erros e primeiros sucessos.

E acho que sim, que trouxe uma experiência gigante para a RFM. Todas as pessoas que saem da Mega, saem altamente bem formadas. Eu diria se a mega fosse uma rádio nacional competia pelos primeiros lugares. É uma rádio exemplarmente bem-feita. E é a forma como acredito que todas as rádios deviam ser feitas.

 

V360: Sentes que a tua mudança da Mega FM para a RFM foi inspiradora?

AH: Para mim foi. 11 Anos a fazer o que, quer que seja, no mesmo lugar, por muito que seja aquilo que tu gostas, quer tu queiras queres não, ganhas vícios, ganhas confortabilidade, ganhas uma tranquilidade que não pode acontecer na quilo que tu fazes que é entretenimento.

Tens de ter o desafio permanentemente na tua cabeça de como espantar as pessoas todos os dias, de como as surpreender ou lhes mostrar coisas novas, ou coisas interessantes que não saibam que são interessantes. E 11 anos no mesmo lugar, obviamente que te dá – eu não digo laxismo, porque isso nunca acontece, porque sou um workaholic, mas alguma confortabilidade que não tem que acontecer. Subir o degrau de carreira que é a RFM e abraçar o desafio que é o café da manhã e a luta pela liderança é sentir que passaste para a liga dos campeões. É uma coisa entusiasmante e obviamente refrescante para ti enquanto profissional. Depois é tentares adaptar tudo aquilo que são as tuas vontades e regras e aquilo que tu sabes de rádio, a uma rádio que é diferente. Mas que mesmo assim, na sua essência tem de passar pelas mesma coisas que tu acreditas.

 

V360: Começaste a dar música de tarde na RFM depois passas-te para as manhãs como foi essa mudança? Querias isso?

AH: Podia estar-te a dizer aqui com alguma modéstia, que não, que não fazia tensões “de”. Não! A determinada altura em que estava nas tardes da RFM ambicionei, e tinha a certeza cá dentro enquanto profissional que teria de chegar às manhãs da RFM para me ver realizado. Sou altamente realizado com a equipa que tenho, sou altamente realizado na rádio onde estou. E sim era uma ambição.

 

V360: A rádio está diferente, está mais interativa, mais dinâmica, com mais abertura para novas experiências, de algo modo sentes que contribuíste para esta mudança?

AH: Eu acho que faço parte de uma geração de rádio – de uma nova geração (apesar de já não ser tão novo), mas de uma nova geração que criou novos profissionais incríveis e que sim, deram um novo animo à rádio. Para além da Web que é permanentemente notável é talvez um meio de comunicação mais surpreendente.

A televisão não se está a reinventar, os jornais não se estão a reinventar a não ser passarem para online, a rádio sim! A radio mantem o seu formato enquanto aquilo que ouves na net ou quando a ligas todos os dias. E depois transformou-se em conteúdos fora da rádio. Tens conteúdos que se cruzam radio e web, tens conteúdos que são só rádio ou só web. Se pensarmos muito bem, os últimos virais que surgiram na net ou foram vídeos de alguém que caiu e é muito giro ou é conteúdo criado pelas rádios. Seja por nós, seja por outras rádios. E é extraordinário como em pelo seculo XXI um meio de comunicação que toda a gente dava como “morto”, se reinventou e nos reinventamos toodos os dias. E não é à toa, e pensado um pouco nisto, os dois maiores programas da manha que são o da RFM e da concorrência, tem a mesma audiência que tem um jornal da noite ou uma telenovela. É impressionante tu sentires que há tantas pessoas ligadas às 8 da manhã ou às 9 da noite como numa televisão. E ainda assim, somos como o parente pobre da comunicação que nem toda a gente liga. A verdade é que a nossa voz chega a milhões de pessoas e fazemos companhia como meio íntimo, como mais nenhum outro faz. Nós somos íntimos, mais nada é íntimo. Tudo é público. Na web não estas sozinho. Na Televisão não estas sozinho, estas com alguém ao teu lado provavelmente. A rádio é um meio íntimo por excelência. Nós conseguimos ser um meio 360, que vai à web, que vai à rádio, que vai à imagem que vai a todo lado. E ainda assim ser íntimos.

 

V360: 13 anos de rádio e muitos como DJ, como separas o André das Manhãs da RFM e o André das Noites como DJ?

AH: De manhã bebo água, à noite bebo tequila Não mentira. (Risos). Como é que as coisas funcionam, acho que cada vez os distingo menos. Já ouve uma altura em que eu tocava música eletrónica independente e por isso ouve uma grande distinção entre o personagem de dia e o da noite, porque o personagem da noite era independente, e não passava a mesma música e estava um bocadinho mais distante daquilo que eram os gostos da massa e da maioria das pessoas. Hoje em dia não os distingo, porque maioria das músicas que passo na rádio passo à noite, e as da noite na rádio. E as pessoas com que me cruzo na noite são claramente aquelas que me ouvem de manhã. Se pensarmos que, quem sai à noite tem entre os 25 e os 35 anos, essas são as pessoas para quem eu trabalho quando me ouvem de manhã. E já me cruzei muitas vezes com as pessoas à noite que sabem quem eu sou, que vão a cabine, dão-me um abraço, dizem que gostam de me ouvir de manhã ou dizem-me até segunda. Tem piada haver essa ligação. É muito gratificante. Embora tu na rádio não tenhas um contacto direto, pois não lhes vez a cara nem o sorriso ou o olhar triste quando dás uma ao lado. Na cabine o sentimento é real e direto. Se tu puseres uma música fantástica eles reagem, se puseres uma música ao lado eles reagem também.

 

V360: Partilha com os seguidores do blog como é abrir concertos para Alicia Keys Miley Cyrus e Anselmo Ralph no Meo arena e tocar para milhares de pessoas numa praia? Qual é a sensação?

AH: A sensação é indescritível. E para quem poem música e já fica com borboletas na barriga porque já tem de ir enfrentar uma multidão de mil ou duas mil pessoas quando está num club. Quando se sobe a uma cabine daquelas é… É sentires que estas a fazer alguma coisa que está bem. Porque para te darem uma responsabilidade dessas é porque algo estas a fazer bem. Mas ainda assim, continuas a ser pessoa, continuas a tremer quando sobes lá para cima e ao fim de duas ou três músicas já está tudo bem. Eu não diria que à grande diferença entre um Meo Arena e uma Praia. Há sim uma grande diferença entre um club (eu tocos todos os sábados no Rádio Hotel por exemplo, ou no Bliss agora durante o Verão) e aquilo que é uma grande multidão. Tu olhas um pouco para o horizonte quando estás a comunicar com vinte mil pessoas que é caso do Meo Arena ou com quarenta mil ou as quinhentas mil que é o caso da festa do Benfica. É multidão é massa, sentes que as coisas resultam. A comunicação mais próxima está no club, onde tu olhas nos olhos das pessoas, onde lhes apertas as mãos e elas te segredam ao ouvido a música que querem ouvir.

 

V360: Uma loja de discos de vinil, como nasceu essa vontade de ter algo teu?

AH: Sabes que a música eletrónica é uma paixão. Quem gosta de música eletrónica independente é como um bichinho que entra e já não sai. Por muito que eu a determinada altura me tenha desiludido com ela, não me desiludi com a industria, porque continuo achar a música eletrónica independente, enquanto subcultura extraordinária. E há 2 anos foi-me proposto ficar com uma parte da Bloop Recordings que é uma editora de música Portuguesa que é líder de marcado, uma marca fantástica, uma editora fantástica que organiza eventos de Norte a Sul do Pais. E mesmo já não estando a tocar eletrónica, e não fazendo intensões nenhuma de lá voltar enquanto disco-jóquei, a paixão existe. E obviamente que foi com agrado  que disse que sim, (bora vamos avançar para isso) e fiquei com a Bloop Recordings. Dai abrir uma loja de discos para quem tem o gosto do Vinil é um paço. Tu queres mostrar às pessoas que o Vinil é o melhor formato, que tu tens aquela paixão. E foi fácil, porque se juntaram quatro sócios que tocam Vinil na música eletrónica. Eu sou colecionador de Vinil e encontrou-se ali uma paixão comum. E era fácil para nós ser mais um prolongamento daquilo que somos como editora, fazemos as festas, editamos os discos, ter uma loja de Vinil era só mais um prolongamento. E já lá vão 4 meses de loja e os resultados são ótimos. E estou farto de gastar dinheiro em Vinil, farto de gastar dinheiro, o meu maior erro foi ter aberto a loja (dito em tom de brincadeira) quem está pobre sou eu.

 

V360: Achas que está a virar moda?

AH: Não sei se é moda, acho que está haver um bom regresso daquilo que é um bom formato. E quando digo que é um bom formato não digo só na questão do som. Tem a ver com a parte física. Nos deixamos de comprar CD’S, passamos a comprar música digital, a roubar música da net. E a verdade é que a música nunca é tua. É um ficheiro, não é teu. E tu hoje convidares alguém para ir a tua casa para ouvir o “teu disco”, ele tem de existir para além daquilo que é o ar da net, da “nuvem”. Ele tem de existir em tua casa, e tem de existir como formato físico. E como formato físico o Vinil tem capacidades inacreditáveis. As capas do Vinil são lindíssimas, desdobram-se, tem relevos, tocasse e é uma coisa diferente daquele que é o CD. Se um vinil se riscar doí-te. É importante que música doa, que arte doa, porque é a tua coleção, não é a pasta que tens perdida no teu computador.

 

V360: Queres partilhar quais são os teus objetivos de futuro?

AH: Olha, não é mentira nenhuma que ambiciono e ambicionamos na RFM chegar a nº 1, não falta muito, estamos a fazer um trabalho maravilhoso, é uma questão de tempo. Quero continuar a por música e levar a minha música de trás para a frente. Mas essencialmente o meu objetivo de futuro é que consiga estar sempre presente na educação e na vida do meu filho da forma como um pai tem de estar.

 

V360: Ser Pai, era algo muito desejado?

AH: É pah! Se calhar era o objetivo mais cedo do que pensei. Eu fui pai, fui pai muito planeado, eu e a minha mulher planemos que íamos ser pais. Fomos na altura que queríamos, quando ele nasceu senti que se tivesse sido pai 4 ou 5 anos antes não teria feito mal nenhum, antes pelo contrário.  Por isso era um objetivo de vida, cumpridíssimo, realizadíssimo por isso sou um apaixonado todos os dias pelo meu menino.

 

V360: O teu filho gosta de ouvir musica?

AH: O meu filho delira com música. E depois é um pouco como tínhamos falado sobre a minha infância. Ele nasce, com um pai que é disco-jóquei, que trabalha numa rádio, que está metido entre botões, bandas e trinta por uma linha. E é natural que ande comigo de um lado para o outro. Faz parte dele, ele vibra com música, delira com música e até já dança o Canta Joana do Felipe Gonçalves.

 

V360: É difícil ser DJ, locutor de Rádio e pai?

AH: Eu tenho uma mulher extraordinário que faz parecer tudo mais fácil. É difícil fazer tudo isto porque eu acordo às 5 da manhã, para ir para a rádio. Logo não o acompanho de manhã e muitos dos fins-de-semana são passados de Norte a Sul do Pais. É mais fácil quando pensas que estas a fazer isto tudo também por ele. Tento compensar todos os dias, esses tais momentos. Eu dedico-me realmente só a ele, tanto que desligo a máquina a partir das 6:00H estou só para ele e realmente só para ele. Aos fins-de-semana é difícil, mas ai a minha mulher trona tudo muito mais fácil.

 

V360: Define em 3 palavras o que ele significa para ti?

AH: EXTRA ORDINARIO. O meu filho em três palavras (silencio). É uma pergunta tramada. O meu filho em três palavras. É o amor da minha vida (e esta conta só como uma palavra), é o meu maior medo e o meu maior orgulho.

 

V360: O que te apaixona?

AH: Olha apaixona-me pessoas com energia, pessoas com positividade e pessoas que não se deixam abater. Essencialmente pessoas que se apaixonem todos os dias por aquilo que fazem. Chateia-me pessoas negativas, pessoas escuras de alma. A negatividade é uma coisa que me chateai mesmo.

 

V360: Obrigado 🙂

AH: De nada, foi muito bom.

André Henriques está no vitor360

Origama é no Verão!

André Henriques está no vitor360

André Henriques :)

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